Conic, Muito além de ser apenas um patinho feio
Muito além de ser apenas um patinho feio
Apaixonados pelo Setor de Diversões Sul, lojistas provam que mesmo com todas as dificuldades, o Conic ainda respira cultura.
Por Fábio Guedes
Toda grande cidade tem um local onde as pessoas envolvidas com uma cultura mais alternativa escolhem para se encontrar. O de Brasília fica no SDS, Setor de Diversões Sul, no coração da capital. Conhecido como Conic, o lugar é uma espécie de Shopping a céu aberto, e é famoso por abrigar as mais diferentes formas de ploriferação de arte.
Desde que assumiu a prefeitura, a arquiteta Flavia Portela procura implantar um conceito diferente sobre o lugar, potencializando a vocação cultural. “Procuramos mostrar o outro lado, o local privilegiado, a fácil acessibilidade, o grande fluxo de pedestres, e, o principal, a diversidade de pessoas e usos” diz a prefeita. Flavia acha que só mostrar o Conic como o ‘patinho feio’ do centro da cidade, não resolve os problemas do lugar.
Ivan presença, dono do Quiosque Cultural, está no Conic há 28 anos, e é um dos responsáveis por manter viva a cultura no local. O Quiosque da Cultura é um sebo de livros oriundo da Livraria Presença. O local se tornou ponto de encontro entre os amantes da cultura no DF. Saudosista, o livreiro acredita que o Conic ainda inspira cultura, seja na literatura, no teatro ou na música.
Jornalista, professor e poeta, Menezes y Morais foi apresentado ao Conic em 1980, e já fez alguns poemas em homenagem à noite boêmia do setor, entre eles A MUSA DO CONIC, que foi roteirizado e filmado por André Xingu. O poema está no livro NA MICROPISCINA DA LÁGRIMA FELIZ. Menezes espera pelo dia em que o Conic não seja visto como submundo.
O lado musical é muito bem representado pela Berlin Discos. No setor há 19 anos, a loja comandada por Reinaldo Freitas faz parte da história do underground no Conic. Hoje o movimento não é o mesmo de outrora, a facilidade em conseguir música na net tem feito o público optar por não comprar ‘tanto CD’. Mesmo assim a loja se mantém como um dos principais pontos de encontro da galera underground.
Raimundo Nonato, mais conhecido como Natinho, é responsável pelas lojas Kingdom Comics; Negro Blue e Verdurão e faz parte da gama de artistas que lutam pela revitalização do Conic. “Juntamente com a prefeita e outros lojistas, a gente sempre tenta criar situações culturais para dar uma geral no setor”, relata o micro-empresário.
Flavia não gosta de usar o termo revitalizar, para ela, mesmo à sua maneira, o Conic ainda pulsa. “Revitalizar algo ou um lugar significa dar vida. E vida é o que não falta ao CONIC”, ressalta a prefeita. Ivan compartilha do mesmo pensamento, “revitalizar é um termo demagógico usado por políticos”, explica o comerciante. Para ele, a saída está em um maior comprometimento das autoridades com o setor. “O Conic ainda é fascinante, não se pode dar vida a quem não a perdeu”, conclui Ivan.








