Entrevista BEHERIT
Traduzido por Gilmar Batista Traduzido de: http://www.terrorizer.com/content/louise-chats-holocausto-beherit
O retorno de Beherit ou seis Minutos com o Senhor Diabolus.
“depois que eu parei de trocar tapes e sai da loja Spinefarm, passei a viver em cavernas, pois lá ninguém tem myspace.”
Quando rumores do retorno de Beherit chegou à internet e a volta oficial do Terrorizer antes do natal, é óbvio que eu não poderia ajudar, mas fiquei bastante excitada. A lenda da Vingança do Holocausto Nuclear AKA Marko Laiho foi longe demais além de sua já excepcional contribuição à historia do Black metal.
A partir de uma proposta de inovação, Laiho foi instrumentalizando e pavimentando o caminho da segunda onda do BM e estreitando as fronteiras do gênero ao início dos anos 90, precedendo tanto o império quanto a imortalidade, mas também, pela contínua evolução e experimentação com aquela arte, através do veio explorado nas produções mais eletrônicas de sua carreira inicial. Se juntarmos todas aquelas ferramentas em 1996, poderemos notar que foi lá que Beherit inicio seu caminhar para tornar-se lenda – a historia seria contada.Todos saberiam do Beherit o fodido, as bandas anti-Beherit da Noruega, todos imaginavam que eles sabiam sobre a guerra de palavras travadas entre as cenas norueguesas e finlandesas e aquelas chamadas, todos ouviram que Marko caiu fora para se tornar um respeitável produtor de música eletrônica e DJ, mas ninguém esperava que houvesse uma reunião. Pelo menos para mim.
Posso admitir que o caldo foi engrossando, ficando mais sério. A anuência de Sami Tenetz da Spinefarm ( que juntou-se à Marko na guitarra e montaram o maravilhoso monicker Ancient Corpse Desekrato)foi uma farsa. Eu precisa ter paciência. E eu odiava ter que ser paciente. Mas podia ser pior: se conseguisse uma exclusiva, mas doce, sessão de perguntas e respostas com o homem, a lenda, logo após o lançamento do novo álbum Down There… day no less! pelo selo Spinefarm.
Os rumores na internet, não passariam de mera fofoca pelas costas.Como você se sente ao saber que tantas pessoas parecem querem a volta de Beherit?Diria que, vindo deles é uma reação normal, ao ouvir novidades como essa. Não tenho razão para não botar fé nos rumores.
O que o fez desejar essa volta e a escrever um novo álbum? Considerando que você havia dito ser absolutamente e positivamente uma não reunião?Porra, porque não?; aquela entrevista foi dada há dez anos atrás. No ultimo inverno escrevi a canção ‘Demon Advance’, que acho que me deu a pilha para esse despertar para a realidade.
E mais importante, porque o tradicional black metal?Ou será que isso vai ser uma breve lembrança dentro de sua experimentação eletrônica para o novo trabalho?Bem, eu não chamaria ‘Engram’ de algo tradicional, mesmo que lembre um pouco Hellhammer e Bathory. Uso alguns samples no álbum, mas não é muito. É uma banda de verdade gravando.
Beherit manteve-se vivo, dada a dedicação de muitos fãs, você é grato por isso, por essa obsessão toda?“Claro, graças ao legado de Beherit Worship, The Seventh Blasphemy, Dark Legions Archives e todas as verdades postadas na Internet. Viva Satanás!”
Na verdade, estou um pouco assustada ao tratar sobre a palavra Noruega, mas como você sabe, vou perguntar. Como está a relação com a vizinhança atualmente? Você ainda recebe telefonemas?
“Bem, você deve estar falando sobre aquela estória de Thomas ou Mika sobre holocausto que fez soar meu telefone sem parar? Posso te garantir que isso é besteira! Esse falso rumor foi preparado e espalhado por Mikko Mattila e Janne Sarna da revista Isten Magazine, coisa de imprensa amarela.”
Durante seu afastamento da cena, você manteve-se atento para o que estava acontecendo ou isolou-se por completo? “Depois que eu parei de trocar tapes e sai da loja Spinefarm, passei a viver em cavernas, pois lá ninguém tem myspace.”
Você ignora a popularidade crescente do metal finlandês? A impressão que dá é que você é como um guerreiro solitário vindo do inicio dos anos 90′s, pois desde lá, nenhuma outra banda de metal finlandês tornou-se conhecida fora da própria, e agora não se pode ignorar a Finlândia na cena internacional no mundo do metal. Como você se sente quanto a isso? Especialmente do ponto de vista de uma banda underground, retornando e sendo aceito no ambiente do metal extreme finlandês?
“Para começo de conversa, o mundo do metal atual é um negócio de marketeiros. Quer minha opinião sobre o comercialismo? Fala sério! Tudo bem, acho que essa porra de tendência não fará nem pouca nem grande importância para bandas como Beherit. Ser aceito pelo mainstream?, isso é insano!”
Não podemos ignorar o fato de você ter se tornado um tanto prolixo em relação à cena dance. Você poderia explicar em que você gastou seu hiato com o Black Metal e mesmo assim manteve-se criativo e produzindo musica?
“Sim, lidei com algumas gravações da música eletrônica, mas não se pode chamar aquilo de dance music, (como é entendido por retardados) Eu sempre trabalhei com diferente e alternados gêneros musicais, idéias e conceitos de arte. Fodam-se estes padrões culturais exigidos.”
No momento em que o Beherit encerrava a carreira, você se tornou artista sole e lançou dois álbuns experimentais, bastante conceituados. Você era feliz tocando aquele estilo mesmo em 1994?
“Beherit tornou-se projeto solo por falta de pessoal qualificado e mente aberta. Beherit nunca esteve restrito a qualquer estilo musical. A banda não está aqui para promover entretenimento.”
Considerando que de fato muita coisa mudou, em termos de produção e distribuição musical. Você sempre esteve no olho do furação por conta de seu envolvimento com a música eletrônica, mas você pensa que a nova rede social/download/P2P/ e distribuição de músicas em fórum abertos e uma coisa boa ou má para a cena underground?
“P2P é tecnologia. Eu não me importo se nosso material ao vivo é gravado ou se nosso material promocional é também distribuído livremente em diferentes canais, como os esquemas de troca de fitas cassetes que dominavam o passado. Eu fiz aquilo durante muitos anos e era muito raro ver uma lista de lançamentos oficiais.
Considero burras as pessoas que disponibilizam nossos álbuns de estúdio no P2P, até os blogueiros são incluídos nesse grupo. Acho que eles deveriam dar um maior suporte ao cast de artistas novos que lançam suas musicas apoiadas pelo Creative Commons license.
Oh, e falando em P2P/downloading, que é basicamente um chute nos pirateiros, como você reage à circulação de pirataria feita com os trabalhos do Beherit. É verdade (alerta de boato) que você tem um album nãolançado gravado antes do “Drawing Down The Moon” no antigo estilo Bestial e que só você e Luttinen teriam uma cópia e que ele as destruiu para evitar que o trabalho fosse pirateado?
Somos bastante racionais para licenciar nossa música para situações especiais, como: cassetes, discos Picture e outros formatos, desde que a gravadora interessada no apresente uma proposta decente. E pelo que eu sei esses “pirateiros” nunca entraram em contato conosco. Eles simplesmente tentaram lançar umas coisas de baixa qualidade, na verdade é besteira pensar que fãs vão apoiar esse tipo de negócio ilegal. Mas o boato é verdadeiro. Existe uma versão não mixada em Cassete-C. Enfim, parte das gravações foram mais tarde lançadas no CD Drawing Down The Moon.
Qual a importância que você dá para o negócio de trocas de fitas cassete? Permitindo particularmente que sua música seja ouvida em todo o mundo, assim como você mesmo influenciando a cena da America do Sul, Cingapura e Noruega?
Trocar fitas, flyers e zines, tem sido um dos meios mais importantes para a manutenção da cena musical underground. Obviamente que para o Beherit é muito importante. Eu mesmo tenho uma coleção de centenas de fitas demo, gravações de ensaios e shows ao vivo de bandas independentes. Gasto a maior parte do meu dia, fazendo cópias de fitas e respondendo a cartas de fãs.
Tem sido fácil administrar seu retorno ao mundo do metal? Existe algo que você já projetou como perspectiva? Algo que te alarma? Isso é verdade, mas o que houve de significativo na música metal nos últimos 10 anos? Nada de novo, exceto o triste fato que a grande maioria dos cabeças na cena, moveram-se para o Mercado de Entretenimento. Toneladas de informações sobre bandas de Black Metal não parecem um carnaval de alegres melodias musicais? Dá para encher uma mão, a quantidade de bandas novas e falando nesse mundo metal de uma forma geral, meu desejo de verdade era voltar para minha caverna.
Você ainda é defensor do clichê: Drink ‘till you barf blood?
Eu retirei essa frase do album Black Winds of Blasphemy: Drink ‘till you barf blood!!!
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