Entrevista Jello Biafra
Eu acho que estaríamos no Iraque, mesmo se Al Gore fosse o Presidente. Tudo o que seria preciso era afundar um navio SS, ou nem isso, bastaria que os Estúdios Fox fabricassem uma mentira e todos acreditariam…
… Ainda me sinto um desconhecido, artista underground a quem eles nunca acharam perigoso o suficiente para jogarem em uma prisão. Triste é saber que a única conspiração já organizada para me destruir, partiu dos outros membros dos Dead Kennedys…
Publicado em 12. 10.09 19h56 e traduzido por Gilmar Santos- colaborador e membro da banda
Parte I
Jello Biafra está com banda nova. Após várias colaborações, em diversos projetos, a banda Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine gravaram seu trabalho de estréia Audacity of Hype,que pode ser adquirido na Alternative Tentacles, a partir de amanhã (13.10.09). Na intenção de sabermos mais sobre esta situação, tivemos uma longa conversa telefônica com Jello e as melhores partes podem ser lidar aqui.
Vocês acabam de chegar de uma tour na Europa. Está feliz em como as coisas se desenrolaram?
JB- bem, pelo menos quebramos o gelo e mostramos para algumas pessoas que somos nós. Os shows no Reino Unido foram maiores que os da Alemanha, Holanda, Franca e Itália. Podemos dizer que a tour foi um sucesso porque todos na banda ficamos muito tempo juntos, se falar que meu corpo reagiu super bem, considerando o tempo que eu estava sem exercitar-me concentrado na finalização das gravações prioritariamente. Mas o melhor de tudo mesmo, é que a platéia parecia genuinamente excitada com os novos sons apresentados, ao invés de ficaram pedindo coisas antigas (retro).
É verdade. Estive em uma gig em Londres e embora as 4 músicas dos DK executadas tenham sido demais, não senti nenhuma necessidade de incluir nenhuma outra música dos velhos tempos para manter o show em alta.
JB – Yeah, podíamos aprender uma ou duas musicas do Lard, ou talvez algumas canções country, do meu algum com Mojon Nixon, mas haveria conflito, porque na verdade a gente tinha um monte de coisa original para apresentar e não haveria tempo para tocar todas. E muitas delas nós apresentamos pela primeira vez. Dia desse eu montei uma lista de canções que eu fiz com o DOA, No Means No, DK e outras que eu gostaria de cantar ao vivo, mas a lista ficou tão grande que eu imaginei que a gente teria que fazer um show como os do Grateful Dead e, eu não imagino alguém agüentando 8 horas me vendo cantar. Eu não aguentaria. (gargalhadas)
O que te motivou a montar essa banda?
JB- Oh. Eu nunca parei para tentar montar uma banda, isso nunca aconteceu. Tenho tido aventuras boas e ruins. Então eu assisti ao show dos Stooges no aniversário de 60 anos de Iggy Pop e foi demais…ainda que eles fossem uma banda de velhotes tocando sons antigos, aquilo foi realmente muito bom. Então eu percebi que estaria fazendo 50 anos no ano seguinte. Eu precisava fazer alguma coisa. E se eu me sentisse da mesma forma que os Stooges, definitivamente eu poderia me declarar vitorioso. Então mantivemos a banda junta para a tour Biafra 5-0 shows, então eu fiz algumas canções novas e em parceria com Os Melvins, e a gente tinha 2 kits de baterias no camarim com um monte de gente ao redor e a musica nunca parava. Então a banda nova, teve que dar um tempo, porque 2 de nós nos machucamos e Billy Gould voou para a França por vários meses, mas nós voltamos à cena depois do natal para trabalhar no álbum.
Mas eu achei isso tudo um disparate.. Eu acho.. você é Jello Biafra, será que não consegue escolher tocar com que pode?
JB- Isso não é verdade..especialmente agora não. Existe um monte de gente com quem eu quero tocar, que vive muito longe e elas não podem comprometer-se a virem da Inglaterra, Japão ou até de Detroit só para montarmos esqueletos de musicas. Então eu pensei em não ficar dependendo só de pessoas de LA. O que eu precisava era de gente da Bay Area com quem eu pudesse me encontrar 2 ou 3 vezes por semana.
Mas e aquela conversa sobre o “sangue novo”? Não era para ter uns caras de vinte anos começando a tocar com você?
JB- Mas é essa a parte do problema. Tem uma galera dessa faixa etária, que quer a oportunidade de me pedir para tocarmos juntos. Mas tudo o que a grande maioria qeur mesmo é fazer uma cópia do DK, onde eles fazem os arranjos e eu faça apenas as letras. Eu queria tocar minha musica. Não quero ficar restrito à formula do DK. Penso que há outras canções, que não tocamos em Londres, quando o tempo para as jams era de 20 minutos.
Isso me faz lembrar I won´t give up (não vou desistir) onde rola uma coisa experimental no final no estilo Beatles.
JB- essa energia dos Beatles não tinha aparecido até que Ralph fez os solos, então, de repente, tínhamos aquela vibe dos caras, presente na musica, ou algo que no final nos lembrava o estilo de George Harrison. Eu nunca me imaginei botando aquelas coisas em minhas musicas, porque nem sou um grande fã de George Harrison ou dos Beatles. Mas ficou tão bom que não pudemos resistir. Mas quis fazer todas as tomadas vocais, entretanto. E temos Raph fazendo diferentes takes, 2 garotas cantando e eu fazendo também tomadas diferentes de vocais. Na verdade o engenheiro de som teve bastante trabalho porque por alguma razão eu sempre dava nó em locais que não costumava errar antes de gravar. Mas eu acho que quase cheguei a desisti de gravar a música Não vou Desistir (risos)!
Também pude notar algum traço de influência do PIL, você fez isso deliberadamente na tentativa de repetir as nuances de Johnny Rotten?
JB- Conscientemente não. Bem, eu e ele temos timbres bem altos, que em parte, faz soar tão peculiar. Mas as maiores influências de timbres nessa altura vêm de pessoas como Rory Ericson, Sky Saxon e Sparks. I won´t give up tem uma cara diferente, enquanto muitas das outras canções do Audacity of Hype eu tenha criado durante a era grunge. Enfim, é essa a minha maneira de cantar o blues.
Na musica The terror of tiny town, você diz – “11 de setembro não foi conspiração/mais do que uma espinha dorsal para mim. Porque você diz isso?
JB- Darei detalhes sobre isso no meu último trabalho discursado In the Grip of Official Treason, por ter ouvido estórias sobre o ataque de 11/09 ter sido planejado por Bush e Ramsfield e isso me fez perguntar: – espere um pouco, isso faz sentido mesmo? Cientificamente, não faz muito sentido e faz muito menos sentido se procurarmos ver com estratégia militar. Você simplesmente não destruir seu maior patrimônio, matando 3 mil pessoas, só porque quer encontrar um motivo para invadir o Iraque. A invasão do Iraque já fazia parte de um plano anterior. Acho que teríamos ido ao Iraque mesmo que Al Gore fosse o presidente. Tudo o que seria preciso era afundar um navio SS, ou nem isso, bastaria que os Estúdios Fox fabricassem uma mentira e todos acreditariam…
Então basicamente, você acha que nesse caso, foram extremistas que finalmente encontraram um ponto fraco no sistema de defesa americano?
JB- Sim. Eles vinham tentando isso há muito tempo. Em 93 eles tentaram efetivamente derrubar o WTC com uma Van carregada de explosivos e existem um monte de documentos sobre isto que ainda não foram lidos simplesmente porque não eles não tiveram tradutores Árabes o suficiente para o fazerem. Eles existiam às dezenas, mas todos foram queimados por serem gays. A razão para eu acreditar nessa idéia de espinha dorsal vem do fato de tanto o FBI quando a CIA saberem sobre aqueles planos e nunca terem dialogado entre si. Eles sabiam que algo iria acontecem, mas como de fato estavam envolvidos em um programa de espionagem, simplesmente não tinham pessoas para tomar conta do assunto. Um outro motivo de minha teoria, é que Ramsfield, tomou decisões conscientes demais para o momento, não no sentido de incomodar Osama Bin Laden ou ataque aos terrorista do Oriente Médio. No entanto, seu plano principal era acabar com as armas nucleares e há outro elo nessa corrente espinhal e talvez a melhor de todas: alega-se que Saddam Hussein, no fundo no fundo, realmente tinha armas de destruição em massa, pelo fato de que os seus cientistas andavam muito amedrontados por ele para afirmarem ao contrário. (gargalhadas)
Vai continuar na parte II (breve!!!)




![Krig -: Human Mission: Destroy [2009]](http://www.osubversivozine.com/wp-content/uploads/2010/01/a1-150x150.jpg)