Entrevista com o diretor, Filipe Sartoreto (Ruído de minas)

Orinalmente publicado no site MTV

Para saber mais sobre o filme, veja entrevista com o diretor, Filipe Sartoreto.

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Foi uma produção totalmente independente ou teve alguma colaboração/ patrocínio?

Com exceção dos equipamentos de gravação, que foram emprestados pela UFMG, fizemos todo o resto por nossa conta, inclusive montando o filme na minha casa, em meu computador pessoal. O grupo era de apenas três pessoas (Filipe Sartoreto, Gracielle Fonseca e Rafael Sette-Câmara), algumas vezes, tínhamos a ajuda de uma quarta pessoa (Leandro Lima), que ajudava fazendo câmera e nos primeiros passos da fase de edição. Fizemos de tudo: produção, pesquisa, contato com os personagens, operamos as câmeras, conduzimos as entrevistas, montávamos e desmontávamos o material , etc. Geralmente, éramos 2 ou 3 pessoas nas gravações, um operava a câmera e monitorava o áudio e o outro conduzia a entrevista. A estrutura de produção reduzida e a falta de experiência do grupo acarretaram em alguns problemas técnicos, sobretudo de áudio, que tive que contornar na edição. Mas acredito que fizemos um bom trabalho e estreamos bem na área do audiovisual.

Com quem vocês falaram para fazer este filme?

Nos pautamos pelas bandas de Belo Horizonte que surgiram primeiro e que lançaram mais álbuns. Entrevistamos integrantes do Sepultura (Paulo Jr., baixista, o 1º guitarrista, Jairo Guedz, e Silvio Gomes, autor da biografia da banda), Overdose, Mutilator, Sarcófago, Chakal, Witchhammer, Sextrash, Holocausto e Kamikaze. Além disso, gravamos com o produtor que gravava as bandas na época (anos 80 e início dos 90), o dono do estúdio de gravação, uma das fundadoras da gravadora Cogumelo, roadies e técnicos de palco da época, jornalistas especializados, fãs e até uma cantora lírica que gravou uma das primeiras misturas de heavy metal com ópera da mundo, aqui em BH. Gostaríamos de ter entrevistado mais pessoas, mas a produção modesta não nos permitiu. Entrevistamos também algumas outras pessoas que acabaram não entrando na versão final.

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Como surgiu a ideia de fazer este documentário?

Esse filme foi feito inicialmente como trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social da UFMG. Sempre fui fã de rock e heavy metal e de filmes que abordavam o tema, porém nunca tinha pensado em fazer um filme sobre o estilo. No sétimo período precisava de um projeto e acabei formando um grupo com dois outros colegas que estavam com o projeto de uma publicação ligada ao heavy metal.

Como o pessoal desistiu da ideia inicial, pensei em fazer o documentário, já que tinha contato com membros do Overdose e sabia, por alto, que os integrantes das demais bandas e outros personagens importantes da cena mineira moravam em Belo Horizonte. Além disso, a universidade dispunha de boas câmeras e equipamentos que poderíamos usar. Então, sugeri ao grupo e demonstrei que era possível fazer o documentário, principalmente porque essa história ainda não tinha sido registrada, a não ser de forma superficial na biografia do Sepultura (Sepultura: Toda a História, de Silvio Gomes e André Barcinski), que ainda por cima se encontra esgotada. Assim, mesmo sem experiência na realização de documentários, o grupo concordou em encarar esse projeto.

Que tipo de imagens a galera pode conferir no documentário?

Além das entrevistas, “Ruído das Minas” traz várias fotos e vídeos inéditos, de shows, apresentações em programas de TV locais, entrevistas, reportagens de jornal, cartazes e materiais promocionais da época, entre outros. Alguns são verdadeiras relíquias do heavy metal nacional e mundial, já que daqui saiu o Sepultura. É curioso notar como a imprensa local dava espaço para o estilo nos anos 80, sendo que esse espaço hoje praticamente não existe mais.

Em meio a tantos outros estilos que Minas exporta, qual a importância dos mineiros para o heavy metal nacional?

Primeiramente, o Sepultura, uma das maiores bandas de heavy metal da história e a maior do Brasil, nasceu em Belo Horizonte. Em segundo lugar, as bandas mineiras foram pioneiras e produziram mais que as de qualquer outro lugar do país, enquanto bandas de São Paulo e Rio de Janeiro que são cultuadas até hoje lançaram um ou dois discos, a média das bandas mineiras era de 3 a 5 álbuns e também foram as primeiras a cantar em inglês, visando o mercado externo. Mesmo hoje, todas as bandas que retornaram lançaram material inédito. Em BH surgiu uma das maiores gravadoras de heavy metal do país, a Cogumelo Records, conhecida na mídia especializada do mundo todo. As bandas de Minas também foram pioneiras em vários aspectos: o Overdose foi uma das primeiras grandes bandas de heavy metal do Brasil, tendo gravado sua primeira música em 83 e feito shows com grande produção, inclusive visual, em Belo horizonte, Rio e São Paulo. O Sarcófago é referência no estilo Black Metal e cultuado no mundo todo até hoje, sobretudo na Europa. E o Sepultura dispensa apresentações. Hoje, existe uma banda na Finlândia que canta em português e gravou covers de bandas mineiras.

Quando vocês lançaram o documentário?

O documentário foi exibido pela primeira vez no festival In-Edit Brasil, que aconteceu em junho e julho, em São Paulo e Rio de Janeiro. Em BH o filme estreou no último dia 09/09.

Quanto tempo levaram entre produção, captação, edição… ?

A ideia surgiu em Março e Abril de 2008, quando começamos a escrever o projeto para a universidade. Os primeiros contatos e gravações foram feitos em junho e julho de 2008. Paramos por causa das férias, já que não podíamos pegar as câmeras da universidade nesse período. Gravamos a maioria das entrevistas em agosto e algumas ficaram para setembro. Começamos a edição em setembro, ao mesmo tempo que corríamos atrás das imagens de arquivo. O principal do filme foi finalizado em dezembro, uma vez que tínhamos que apresentá-lo à universidade. Porém, em janeiro e fevereiro de 2009, foram adicionados algumas imagens e cartoons para ilustrar histórias divertidas contadas pelos entrevistados e o filme ganhou sua forma final. O tempo total entre pré-produção, produção e edição levou cerca de 7 a 8 meses, descontando o tempo em que ficamos parados. Um recorde para um documentário longa-metragem, ainda mais feito por estreantes e ainda tivemos que escrever o relatório teórico para universidade.

Esse é minha primeira experiência com vídeo, seja direção ou edição. Antes dele, só havia feito pequenos exercícios na faculdade. Portanto, fico muito feliz que esteja tendo toda essa repercussão e agradeço à MTV pelo espaço dado ao Ruído das Minas.

por Carol Tavares

Sobre o Autor

Amarildo

OsubversivO [Do lat. subversus, part. pass. de subvertere, ‘subverter’, + -ivo.] Adjetivo. Substantivo masculino. 1.V. subversor. 2.Que ou aquele que pretende destruir ou transformar a ordem política, social e econômica estabelecida; revolucionário.

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