Deicide, a noite da blasfêmia em Taguatinga
Deicide, Necropsy Room e Hidden in Flash
16/01/10 – Lions Club, Taguatinga/DF
Muita expectativa se criou por ser a primeira vez que a Deicide viria a Brasília. A confirmação e a divulgação desse show se deram no mês de setembro do ano passado, e desde então os comentários iam de “é um absurdo um show desse por aqui” a “finalmente alguém de peito teve coragem para encarar um produção dessas”. Durante a semana a procura por ingressos foi intensa. Todos já tinham a certeza de que o evento estava confirmado, e só restava esperar para que o dia 16 chegasse logo.
Ao chegar ao local, por volta do horário marcado (20h), era possível ter a certeza de que a casa estaria cheia. A aglomeração de death beangers nas proximidades do Lions Club dava a sensação de que o espetáculo que estava por vir seria inesquecível para todos os presentes.
Por volta das 22h, a Hidden in Flesh (formada por três ex-integrantes da From Hell) deu início aos primeiros acordes da noite. O público ainda entrava nas dependências do Lions, e aos poucos foi se juntando em frente ao palco. Os poucos presentes puderam presenciar a estréia da banda, que mostrou o porquê de ter sido escalada para tal feito. Por cerca de meia hora, a banda despejou um ótimo Death Metal com forte influencia de bandas européias como Hipocrisy. Mesmo com experiência em bandas antigas, os meninos não conseguiram esconder o nervosismo por estrear em um show desse porte, mas esse nervosismo em nada atrapalhou a performance do grupo.
Em seguida foi a vez de a banda goiana Necropsy Roon subir ao palco. O som continuava embolado e extremamente alto. Os caras não se mostraram intimidados com os problemas técnicos e deram prosseguimento a função de preparar o público para a atração principal. Tocando um Death Metal com influencias “modernas” os goianos, que na ocasião lançavam seu mais debut CD, mantiveram a galera empolgada e saíram satisfeitos por terem participado de um evento tão especial.
Após um pequeno intervalo, para ajustes no equipamento, Glen Benton e Cia sobem ao palco e começa o trabalho dos seguranças. A galera ensandecida empurra a grade e tenta chegar o mais próximo possível do palco. Detonando toda sua blasfêmia em prol do metal da morte, a banda emenda as quatro primeiras músicas sem deixar pausa para respiros. O som extremamente alto aos poucos vai sendo equalizado. O pessoal que ainda estava do lado de fora vai formando um bloco entre a mesa de som e palco. E o empurra empurra continua. Tornando difícil a permanecia no espaço entre a grade e o palco.
Por cerca de uma hora e quinze a banda detonou vários de seus clássicos, com grande destaque para músicas mais antigas, conforme o próprio Glen havia anunciado nas entrevistas. Era nítida a satisfação do público, em especial nas músicas dos primeiros álbuns. Mesmo sem conversar muito com a galera, a banda dava sinais de que estava satisfeita com sua primeira passagem pelo DF. A certa altura a guitarra do novato Kevin Quirion falhou, e Glen Benton brincou fazendo o som de tic-tac. O encerramento do show não poderia ter sido melhor. Emendaram Lunatic of God’s Creation e Sacrificial Suicide, dois clássicos absolutos do primeiro álbum fazendo com que os death bangers fossem à loucura.
Ao final era possível perceber o sorriso coletivo no rosto dos cerca de 800 death bangers que compareceram ao Lions e presenciaram o belo espetáculo proporcionado pelo veterano grupo californiano. Parabéns à SM Pró Rock Produções por ter realizado o evento com um profissionalismo incomum para os shows de extremo aqui no DF.
Texto e fotos: Fábio Guedes





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