Rock sem fronteiras
Bandas: Dercy Gonçalves, DFC, Os Matrapilhos e Succulent Fly.
Entrada franca. Com direito a rever amigos da old generation do rock candango.
De volta à ativa, um dos projetos mais bem elaborados e importantes da cena do DF. Os eventos no lendário Teatro Garagem serviram para revelar muitas bandas, atores e toda a sorte de artistas do planalto central. No som e luz, um dos maiores apoiadores da cena independente do DF, o “amigo de todo mundo” Serginho (vocal do extinto Mel da Terra) e na organização além de outros, Paulinho, guitarrista do Quebraqueixo (e do extinto Mel da Terra). Abrindo a festa: A paraense Dercy Gonçalves, ao que me pareceu, provocou quase um mal estar entre os mais radicais. Explico: segundo comentários a banda em turnê nacional, estava com apresentação marcada para o espaço Apoal em Águas Lindas, mas optou por tocar em Brasília, o que deixou algumas pessoas desgostosas com a atitude dos visitantes. Falei com Kaká (obrigado por levar o 7′ep do ARD)vocal da banda e ele afirmou que tudo não passou de um mal entendido, acho ele quer inclusive direito de resposta aos comentários postados pelo Zine Oficial ( Tomaz, é com você amigo!). Mas vamos à gig que é o que realmente interessa agora. A platéia tomou um soco no estômago literalmente, o som dos caras é cru demais (isso é elogio..rsrsrs) e a banda desceu a lenha, guturais urrados à ponto de engasgar, zangados com sangue no olho chamando a atenção da galera e logo na terceira musica, a galera já estava incendiada e pulando como pipoca na panela quente e girando alucinados na roda de slam que iniciava. Um detalhe no mínimo curioso: há uma caixa de madeira grampeada a exatos 50 cm do palco de onde saem os cabos dos microfones, acho que o projetista vai perder o emprego (Serginho tira aquilo logo, senão vai ter gente se machucando sério). Terminada a apresentação, a banda juntou-se aos banqueiros mais famosos da cena local: Phú dos Macakongs, Evandro do Quebraqueixo, Juvas da GBG Records, Natinho da Kingdom Comics, e montou o merchadising de sua banda.
Quase não reconheci Anderson (redondo como um lutador de sumô) vocal-guitarra da mosca Suculenta (Succulent Fly) que junto a Zeca no baixo e o batera que é a cara do Amarildo (zine O Subversivo) deram o seu recado. Mas apesar de o trio mandar vários clássicos, para moçada presente, o show foi bem morno, destaque para “Hammer” Anderson que martelou a guitarra com tanta fúria que mandou duas para o hospital com as cordas partidas. Particularmente, gostei do que vi e ouvi. Torço para que a banda volte com toda a força para ajudar a recompor a cena brasiliense que se encontra tão fragmentada. Fuck you foi emocionante, parecia um chamado à guerrilha, mas sozinho na frente do palco e com as luzes acessas, não rolava pique para dançar.
Os Maltrapilhos, com a participação mais que especial de Frango Kaaos na guitarra, detonaram com seu punk rock oitentista e “eu não sou você!” foi a meu ver a mais flamejante canção da noite, dos ceilandeses “maltrapilhos”. Todos os presentes, inclusive eu que não sei a letra, mandei ver no refrão e cantei em uníssono com o coro de exaltados fãs.
Como na última gig dos caras, fiquei devendo um pescoço quase quebrado (Lobotomia no Bar Blackout), preferi ficar pianinho, sob a alegação de estar atento para escrever uma boa resenha. A banda tem tocado em todas as oportunidades (me fazendo lembrar um ano em que ARD tocou 60 vezes no DF antes de acabar o ano)e posso afirmar, que é isso o que os manterá mais afiados e maduros musicalmente e performaticamente (fotos no orkut do Renato).
A grande atração da noite, foi anunciada com bastante vigor por Cigano Igor (vocal do Quebraqueixo), como a banda mais “bombada” do DF em termos de apresentações. Segundo Igor, depois de Natiruts é o DFC quem mais tem se apresentado pelo país. A tour pela velha Europa, apesar de distante agora (ano passado), fez muito bem aos “brazucas do cerrado”!!! que assumem com seriedade a participação em cada gig. Destaque para o cara mais sickminded da cena de todos os tempos: Túlio!!!
O cara vive no palco momentos extremos de delírio e senilidade. A banda toca com uma precisão cirúrgica de dar medo. Mais afiados que lâminas de adamantium, a velocidade é estonteante o que os faz detonar um set enorme em segundos. Na verdade a impressão que tenho é que todas as músicas são “atendendo à pedidos”,pois a muvuca que se reúne em torno do cardápio musical dos caras é assustadora.
Assim, DFC vai executando um a um os favoritos “hinos dominicais”, dos fiéis mais doentes que Túlio e o caldeirão vai fervendo e a pressão subindo e os fiéis extasiados como às portas do céu!!!!!
Na apresentação o que não faltaram foram os momentos extremos. Um carinha (brother do Túlio, portanto, louco de pedra também)deliciava-se na frente de Miguel “pouco louco” no serrote de 6 cordas, fazendo com que eu Totórs e alguns observadores insanos ficaram à beira do desmaio de tanto rir da cena asquerosa.
Já na segunda paulada, Túlio em um de seus pulos típicos, afunda o tablado para o delírio da galera e desespero de Serginho e roadies que literalmente, mudaram-se para o palco, na intenção de proteger o herói “doidepedra”. Fiquei verde de rir, quando ele disparou: – Agora uma canção, para amar! Uma canção emo, chupe a língua de seu macho e sinta a língua dele passar em seu peito suado e cabeludo! Vamos executar agora Chute na Cara.
Depois dessa, veio uma saraivada de clássicos, um atrás do outro sem tempo para descanso e eu aproveitava as pausas de semicolcheia e gritava para Miguel (tá lento demais, tá com preguiça de tocar? hahahahahha) Por fim, viria a mais pedida de sempre: Molecada 666, a partir daquele momento, nada mais teria sentido. Uma frase final (vinda do Jazz) para definir o que vi: “give it to me”!!!
Para a próxima edição do Rock sem Fronteiras, já temos garantida a presença de ARD, Galinha Preta e Cabelo Duro, pois todos aceitaram o convite. Com o ARD, garantindo como contrapartida para a participação, um ônibus à disposição e gratuito para levar toda a galera do Gama, saindo para o Teatro Garagem com ida e volta garantida pelos organizadores. Convite aberto: Vamos lotar o espaço e bombar o evento!!



![Krig -: Human Mission: Destroy [2009]](http://www.osubversivozine.com/wp-content/uploads/2010/01/a1-150x150.jpg)
